Óleo de peixe: conheça seus incríveis benefícios para a saúde

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O óleo de peixe, um dos suplementos mais indicados pelos nutricionistas, tem como principal benefício a alta concentração de ômega-3, o mais famoso dos ácidos-graxos, essencial para o bom funcionamento do organismo, embora não possa ser produzido por ele.

Um tipo de gordura poliinsaturada, o ômega-3 tem sido objeto de milhares de estudos no mundo todo, com a comprovação de benefícios que favorecem diferentes funções biológicas, contribuindo para promover a saúde mental, do coração, olhos e ossos, por exemplo (1).

É composto por três variedades de ácidos graxos: o ácido alfa-linolênico – ALA, o eicosapentaenoico – EPA e o docosahexaenoico – DHA, que apesar de apresentarem estruturas semelhantes, exercem diferentes funções no organismo.

O EPA, por exemplo, está relacionado à saúde cardiovascular e ajuda o corpo a sintetizar substâncias químicas envolvidas na coagulação e inflamação do sangue, enquanto o DHA está associado à saúde materno-infantil e é considerado ainda fundamental para o desenvolvimento e saúde do sistema visual e cerebral.

EPA e DHA são encontrados naturalmente em fontes marinhas, incluindo peixes de águas frias e profundas tais como anchova, salmão, atum, cavala, arenque, em mariscos e algas marinhas – fonte original desse tipo de gordura. Enquanto o ALA, que pode ser convertido em EPA ou DHA, é encontrado em sementes como linhaça, chia ou de abóbora, castanhas como as nozes e, em menores quantidades, em folhas de coloração verde escuro, como a couve ou o espinafre.

Além de fortalecer o sistema imunológico, o ômega-3 possui ação anti-inflamatória, reduz os níveis do colesterol LDL (ruim) e aumenta os de HDL (bom), promove a saúde cardiovascular, melhora o desenvolvimento cognitivo, protege a retina, estimula a vasodilatação, auxilia no tratamento da depressão e controle da pressão arterial e contribui ainda para uma pele e ossos mais saudáveis.

Saiba como o ômega-3 se relaciona com diversas doenças e o que diferentes estudos falam a respeito dele.

Principais benefícios do óleo de peixe para a saúde

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Benefícios para a saúde mental

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O ômega-3 é fundamental para a atividade cerebral, transmissão de impulsos nervosos e desenvolvimento normal dos tecidos desse órgão, que é composto por cerca de 35% de ácidos-graxos, responsáveis por garantir a saúde de toda a massa cerebral, em especial da bainha de mielina, membrana que envolve os neurônios.

O óleo de peixe assegura a manutenção dessa saúde, contribuindo, inclusive, para prevenção do encolhimento dele – processo que naturalmente ocorre ao longo dos anos – e, consequentemente, para o desenvolvimento de doenças neurodegenerativas como o Alzheimer e o Parkinson (2) (3).

Em um estudo piloto realizado durante 8 semanas em 2007, constatou-se que o suplemento pode ainda auxiliar no combate aos sintomas do transtorno de déficit de atenção com hiperatividade, TDAH. Crianças que consumiram entre 8g e 16g diariamente, apresentaram melhorias significativas, conforme avaliação de pais e psiquiatras (4).

Memória

A suplementação de ômega-3 pode ajudar a melhorar a memória, é o que comprovam dois estudos, realizados com jovens e adultos (5) (6).

No entanto, de acordo com outro estudo, que teve a participação de mulheres acima de 65 anos, mesmo em níveis elevados ele não impede o declínio cognitivo relativo à idade (7).

Transtornos psicóticos

Os ácidos graxos ômega-3 encontrados no óleo de peixe podem ajudar a reduzir o risco de desenvolver alguns distúrbios psicóticos, entre eles a esquizofrenia. É o que comprovam os resultados publicados no Nature Communications, após a utilização de 12 semanas do suplemento (8).

Depressão pós-parto

Consumir óleo de peixe durante a gravidez, três ou quatro vezes por semana, pode também reduzir o risco de depressão pós-parto. Contudo, o ideal é que ele seja obtido por meio de alimentos, principalmente os peixes, pois eles também fornecem proteínas e minerais.

A recomendação é a adoção de uma alimentação com um alto nível de ômega -3, principalmente peixes, duas ou três vezes por semana (9). 

Benefícios para a saúde física

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Redução do colesterol

Diferentes estudos comprovam os benefícios do óleo de peixe para o controle do colesterol, não apenas para a redução dos níveis de LDL, o colesterol ruim (10), mas ainda para aumentar os de HDL, considerado o bom colesterol (11).

Saúde cardiovascular

Realizado com cerca de 15.000 pessoas, um estudo também descobriu que os ácidos graxos ômega-3, incluindo os presentes em suplementos de óleo de peixe, reduziram o risco de doenças cardiovasculares, além de assegurar maior longevidade (12).

O ácido-graxo EPA, um dos seus componentes, atua na produção de substâncias anti-inflamatórias chamadas prostaglandinas E3, promovendo benefícios cardiovasculares e circulatórios, evitando a formação de trombos, responsáveis por doenças como os acidentes vasculares cerebrais e trombose, além de ajudar a estabilizar as lesões das artérias, impedindo a aterosclerose e reduzindo a possibilidade do desenvolvimento de doenças cardiovasculares (13) (14).

O óleo de peixe pode ainda proteger o coração dos sintomas ocasionados pelo estresse, uma das doenças contemporâneas de maior incidência, responsável por transtornos emocionais como a depressão e a ansiedade. Os resultados de um estudo publicado no American Journal of Physiology, sugeriram que as pessoas que tomaram suplementos de óleo de peixe por mais de um mês, apresentaram uma função cardiovascular melhor durante a realização de alguns testes mentalmente estressantes (15).

Esclerose múltipla

Por sua ação protetora do sistema nervoso, alguns estudos apontaram para a possibilidade do óleo de peixe contribuir como auxiliar nos sintomas da esclerose múltipla, no entanto, pelo menos um deles concluiu que o ômega-3 não proporciona esse benefício (16).

Saúde dos ossos

Diferentes estudos relacionaram o consumo de suplementos com ômega-3 à manutenção da densidade óssea, principalmente durante a menopausa, quando as mulheres tendem a perder massa óssea, aumentando o risco para o desenvolvimento de osteoporose (17).

Câncer de próstata

Um estudo também indicou que o consumo de óleos de peixe, aliado a uma dieta com baixos teores de gorduras, podem reduzir o risco para o desenvolvimento de câncer de próstata (18).

Entretanto, outro estudo relacionou os níveis elevados de ômega-3 com um maior risco de câncer de próstata do tipo agressivo. Os dados foram publicados no Journal of the National Cancer Institute e, sugerem, que uma alta ingestão de óleo de peixe aumenta essa possibilidade em até 71% (19) , por isso seu consumo deve ser orientado por um médico.

Perda de visão

O óleo de peixe, por meio da ação de ácido-graxo DHA, protege a diminuição de visão progressiva relativa à idade. É o que apontam os resultados de diferentes estudos canadenses, publicados na revista Investigative Ophthalmology & Visual Science (20).

Epilepsia

Um estudo, realizado em 2014 e publicado no Journal of Neurology, Neurosurgery & Psychiatry, afirma que os portadores de epilepsia poderiam ter menos convulsões se consumissem baixas doses de óleo de peixe todos os dias (21).

Saúde e desenvolvimento fetal

O consumo de ômega-3 pode ajudar ainda a melhorar o desenvolvimento sensorial, cognitivo e motor do feto, foi o que descobriram alguns cientistas em 2008, por meio de estudos que apontaram a eficiência desse ácido-graxo, principalmente quando ingeridos nos três últimos meses de gravidez (22).

Riscos relacionados ao consumo de óleo de peixe

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Quem tem alergia a mariscos ou peixes, não deve arriscar o consumo do suplemento, mas optar por outras fontes de ômega-3, tais como as sementes de linhaça, chia e abóbora ou ainda as folhas de coloração verde escuro. Alguns estudos indicam que esse tipo de alergia estaria presente em até 2% da população mundial, entre adultos e crianças, e tende a persistir durante a vida toda (23).

Suplementos de ômega-3 podem afetar ainda a coagulação sanguínea e interferir com a utilização de drogas que têm esse propósito, ou mesmo desencadear alguns efeitos colaterais no sistema digestivo, como indigestão ou diarreia (24).

Ele contém ainda doses elevadas de vitaminas A e D, que em excesso, são prejudiciais à saúde (25).

Deve sempre ser adquirido a partir de fontes confiáveis e, antes de adicioná-lo à dieta, é importante ainda procurar um profissional da saúde para uma orientação correta, com a indicação de doses adequadas para suprir a sua necessidade nutricional.